E o timing?

Hélio tinha 39 anos e liderava a equipe de pesquisa e desenvolvimento de uma fabricante de corantes e aromatizantes. Ele era casado, pai de duas filhas e extremamente religioso. Sua vida inteira tinha sido na mesma cidade onde nascera, Joanópolis, no interior do Estado de São Paulo. Hélio era formado pela faculdade local em farmácia, mas após muito estudo e muita dedicação à empresa de corantes, havia galgado a posição de coordenador de pesquisa e desenvolvimento.

Hélio acordava cedo todos os dias, levava seu cão para passear, tomava banho, tomava café e ia trabalhar. Sua esposa cuidava das filhas e as levava à escola. Hélio almoçava na empresa para não perder tempo e às 17:30, no final do expediente, ia para a casa ficar com sua família.

Aos finais de semana a família ia à igreja, visitava os avós maternos e paternos e saía para tomar sorvete ou comer uma pizza.

Na empresa, Hélio liderava 4 rapazes e 2 moças, todos jovens entre 20 e 30 anos, estudiosos, alguns de Joanópolis e outros de cidades vizinhas, que haviam vindo para a cidade em busca de oportunidade.

Hélio era um líder bastante justo, nunca beneficiando um em detrimento de outro. As coisas tinham que ser corretas para Hélio. Ele tinha traços bastante conservadores e, portanto, era um pouco centralizador.

As decisões da área tinham sempre que passar por ele que, como primeira reação, sempre questionava muito. Hélio era um tanto resistente ao novo e a sair da zona de conforto. Sempre pensava no que poderia dar errado quando lhe era apresentada uma nova ideia. E então pedia um tempo para pensar naquela sugestão, nova ideia ou inovação.

E esse era o problema, tudo tinha que passar pela aprovação de Hélio e tudo demorava muito. A equipe ficava tamborilando os dedos esperando a resposta. Às vezes, iam lá e cobravam um retorno e ouviam: “Ainda estou ponderando o impacto de sua ideia.”

Hélio não tinha ideia de quão lento era em suas decisões, pois não era cobrado de maior rapidez. A empresa como um todo era bastante conservadora e produzia os mesmos corantes e aromatizantes há muitos anos, com pouquíssimas alterações.

Sua equipe, no entanto, urgia por maior rapidez, mas ao mesmo tempo, nada podiam fazer. Quem era novo na empresa se revoltava e ficava ansioso, bravo, mas com o passar do tempo, todos iam se acostumando àquele ritmo e resistência ao novo, e nem mais criavam muito. Ficavam lá, pois ao final do mês, seu salário estaria garantido.

O líder que demora demais para tomar decisões gera um clima de pasmaceira que vai contagiando toda a equipe e, aos poucos, as outras áreas da empresa, pois eles também são indiretamente afetados. Vira um departamento fantasma, lento, sem brilho.